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Apesar da causa ultrapassar décadas, o feminismo ainda gera polêmica ou falta de interesse

Mulheres explicam o verdadeiro sentido da luta, e tem consciência que a batalha está apenas começando

Reportagem: Henrique Kawaminami, Leandro Oliver, Lucas Barreto e Marcos Maluf

Imagem: Reprodução

É comum e assustadora a quantidade de pessoas que não sabem ou não entendem o que é feminismo. Claro ninguém tem por obrigação saber, mas se você for debater sobre um assunto é preciso ter o mínimo de conhecimento sobre o mesmo.

Você sabe o que é Feminismo?


O movimento feminista teve seu início no século XIX, e uma das suas maiores influências foi a Revolução Francesa e as alterações sociais que começaram a surgir na época. O feminismo reconhece que homens e mulheres tem experiências diferentes, e reivindica que pessoas diferentes sejam tratadas não como iguais, mas sim como equivalentes.

Através das mudanças trazidas pela Revolução Francesa, as mulheres começaram a tomar consciência das desigualdades em que se encontravam naquela época, e com isso começaram a questionar e lutar pelos direitos de igualdade tanto social quanto política. A primeira onda ficou conhecida pela luta para o voto feminino e também a poder ter uma vida fora do lar, ao estudo e também melhores condições de trabalho.

A partir dos anos 60 as lutas pela igualdade de direitos e sociais ganhou força, e fez com que as mulheres passassem a questionar todas as formas de submissão que enfrentavam. A década de 60 foi marcada pela liberação social, surgimento da pílula anticoncepcional e movimentos de direitos civis, trazendo à tona várias questões sobre da mulher negra, da mulher indígena e dos homossexuais.

O feminismo negro um movimento social, com objetivo de trazer a sociedade visibilidade a suas causas e reivindicação de seus direitos. Tornou-se popular em 1960 nos EUA, no Brasil seu início se deu na década de 70. O problema da mulher negra se encontrava na falta de representação pelos movimentos sociais hegemônicos, enquanto as mulheres brancas buscavam igualdade nos direitos civis as mulheres negras carregavam nas costas o peso da escravatura.

Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida como Nísia Floresta, escritora e educadora foi uma das pioneiras nas causas feministas no Brasil, foi provavelmente a primeira mulher a romper limites entre espaços públicos e privado, é dela o primeiro livro a tratar dos direitos das mulheres no país.

Partimos então para a década de 80, após a volta da democracia, as mulheres ganham mais protagonismo no governo com a criação do (CNDM) Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres.

Com o passar dos anos diversos direitos foram conquistados pelas mulheres, como direito a estudar, ao voto, leis mais severas contra crimes cometidos contra mulheres são alguns exemplos.

Imagem: Reprodução/Dicio.com.br

Território Nacional

A Expertise realizou uma pesquisa sobre o feminismo no Brasilem 2014, quando ouviu 1.258 pessoas para saber qual a percepção dos brasileiros em relação ao movimento, as diferenças entre homens e mulheres e descobrir se o Brasil é um país machista.


Os números revelaram que 1 em cada 3 mulheres se consideram feministas. Em contrapartida, 1 em cada 3 homens admitem ser machistas e 75% dos brasileiros percebem a nossa sociedade como machista. Entre as mulheres, esse percentual é um pouco maior – 82%, contra 69% entre os homens.

Quando questionados se, de forma geral, existe diferença entre os homens e as mulheres no Brasil, o consenso foi grande: 96% afirmaram que sim. Estes números mostram que, no dia-a-dia, o comportamento dos brasileiros já vem mudando, mas ainda há muito o que evoluir. Nosso COO, Rodrigo Cicutti, comentou os resultados: “Os números mostram que o feminismo tem boa aceitação no Brasil, o que contribui para avançarmos no sentido de promover a igualdade entre homem e mulher”, conclui.

Feminismo em MS

Protesto de mulheres na praça Ary Coelho em Campo Grande, após morte da deputada Marielle Franco (Foto: Henrique Kawaminami)

Nos dias atuais o feminismo é um movimento bastante visto em todo o mundo, ganhando cada vez mais força e adeptos devido ao surgimento da internet, e as redes sociais tornaram possíveis que grupos de mulheres se encontrassem e falassem como se sentem em relação ao mundo em que vivemos atualmente. Não podemos ignorar a sua importância na atualidade, o feminismo é o movimento social das mulheres ele amplia e aprimora o papel da mulher na sociedade.

Apesar de ser antigo, o movimento feminista vem ganhando mais espaço a cada ano, como vimos sua ideologia ainda é complexa quando não analisada a fundo. A falta de informação e influências culturais na maioria das vezes impostas por mídias sociais é o principal inimigo dos que buscam igualdade de gênero.

Foto: Henrique Kawaminami
Dayane líbero (29) é jornalista e relata seu primeiro contato com o feminismo. "Eu tratava como uma ideia idiota e distorcida, a primeira delas era que mulheres com pelos grandes pelo corpo saiam por ai queimando sutiãs".

A jornalista fala que esta ideia é influenciada de forma geral no âmbito da sociedade, "cria-se a tal imagem do movimento para enfraquecer as ideias".

Uma situação que para muitos é corriqueira despertou em Dayane dúvidas, o suficiente para estudar o feminismo. "Meu amigo de trabalho faz a mesma função que eu e ganha mais, a mulher tem que trabalhar, ganhar menos e ainda cuidar da casa", e foi a partir daí que a jovem passou a conhecer a fundo as verdadeiras representações do movimento aderindo a causa.

Ela ainda destaca que sentia um vazio muito grande. "Antes de conhecer o feminismo eu sentia um vazio muito grande, me sentia oprimida sem saber o que era".

Explica que existem "veias" dentro do movimento, um exemplo disso seria o feminismo negro que é diferente do feminismo branco. "Não se via mulheres negras nas fotos de protesto dos anos 70 por exemplo, as mulheres negras lutavam em dobro por igualdade de gênero e igualdade racial", mas apesar das denominadas "veias" ao fim do percurso a causa é uma só.

Sobre o cotidiano atual explica que é difícil até caminhar nas ruas, pois é praticamente impossível contar o número de "cantadas" que recebem durante um simples trajeto ao serviço por exemplo. "Mulher nenhuma gosta de ser cantada, eu não conheço mulher nenhuma que goste de ser cantada, o homem tem medo de andar na rua e ser assaltado, a mulher tem medo de ser estuprada, ter um homem para proteger não resolve o problema, queremos ter o direito de ir e vir independentemente".


 Nos dias atuais as várias ramificações de luta das mulheres se uniram para agregar força, e essa união vem dando certo segundo Romilda Neto Pizane (41) educadora social. "As mulheres ao contrário das décadas anteriores, estão se unindo independente da raça e cor, eu venho do movimento negro e hoje lutamos por uma causa em comum".
Foto: Leandro Oliver
A União dos movimentos partiu da necessidade de recursos financeiros, incentivos culturais e sociais. "A União trouxe resultados positivos" diz com orgulho.

Quando questionada sobre o respeito à mulher, afirma que houve melhora significativa, mas que seria melhor obter o respeito natural e não o imposto por lei.

Sobre expectativas de mudança não pensa duas vezes em dizer que tem um grande caminho a percorrer. "As coisas nem sempre são como gostaríamos que fosse, infelizmente temos que nos acostumar pois ainda temos uma longa caminhada, não é uma fala de desestímulo, mas uma preparação". Mas que ainda teria uma saída mais funcional na qual tem a esperança de um governo que transforme a educação e a cultura.

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